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Brasil é o 5º país mais desigual do mundo, indica pesquisa

No Brasil, os 10% mais ricos concentram 70% de toda a riqueza nacional

O Brasil volta a figurar entre as nações com maior desigualdade econômica do mundo, conforme a terceira edição do Relatório da Desigualdade Global. O documento, elaborado pela rede World Inequality Lab, vinculada à Paris School of Economics, reúne mais de 200 especialistas sob a coordenação da equipe do economista francês Thomas Piketty.


O estudo aponta que o país ocupa a quinta posição entre 216 avaliados no quesito desigualdade de renda. Os resultados evidenciam que a concentração permanece estrutural e avança tanto interna quanto internacionalmente.


Os dados revelam que os 10% mais ricos do Brasil ficam com 59,1% de toda a renda per capita, enquanto os 50% mais pobres detêm apenas 9,3%. No panorama mundial, o país é superado apenas pela África do Sul, Colômbia, México e Chile. Esse quadro se repete na distribuição da riqueza — englobando bens financeiros, imóveis e outros ativos — área em que o Brasil figura em sexto lugar globalmente. Apenas o topo dos 10% responde por 70% de todo o patrimônio do país, e o 1% mais rico concentra mais de um terço desse total.


O relatório também evidencia que a desigualdade extrema não é exclusiva do Brasil. Em escala global, o 0,001% mais rico — cerca de 56 mil indivíduos — acumula três vezes mais riqueza do que toda a metade mais pobre da população adulta mundial, formada por 2,8 bilhões de pessoas. Segundo a pesquisa, os 10% mais ricos ficam com 75% da riqueza global, enquanto os 50% mais pobres retêm somente 2%.
A expansão dessa concentração tem se acelerado desde os anos 1990. O documento aponta que a fortuna de bilionários e centimilionários cresce, em média, 8% ao ano — praticamente o dobro da taxa observada para a metade mais pobre. O texto ressalta que “o resultado é um mundo em que uma minoria reduzida detém um poder financeiro sem precedentes, enquanto bilhões continuam privados até mesmo de estabilidade econômica básica”.


Em quase todas as regiões do planeta, o 1% mais rico possui mais riqueza do que a soma dos 90% restantes. O relatório também destaca que o sistema financeiro internacional atua sistematicamente em benefício das economias desenvolvidas. O que antes era visto como o “privilégio exorbitante” dos Estados Unidos — decorrente do dólar como moeda de reserva — hoje se estende às demais nações avançadas.


A transferência líquida de renda dos países pobres para os mais ricos, por meio de rendimentos e investimentos financeiros, chega a cerca de 1% do PIB mundial por ano. Esse montante é quase três vezes superior ao valor destinado à ajuda internacional aos países em desenvolvimento.
A metodologia do estudo segue os critérios estabelecidos por Piketty em O Capital no Século 21. Para medir renda, são considerados rendimentos do trabalho e benefícios da seguridade social antes da incidência de impostos. As comparações internacionais utilizam a paridade de poder de compra, que ajusta as diferenças no custo de vida. A definição de riqueza inclui a soma de ativos financeiros e não financeiros, descontadas as dívidas, com base em registros fiscais, pesquisas domiciliares e contas nacionais.


Entre os indicadores avaliados está a Razão T10/B50, que compara a renda média dos 10% mais ricos com a dos 50% mais pobres. O relatório enfatiza que políticas tributárias progressivas e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, desempenham papel essencial no combate às desigualdades. Contudo, aponta que indivíduos de renda muito elevada pagam proporcionalmente menos impostos que as classes média e baixa, além de utilizarem brechas legais para transferir patrimônio a regiões com tributação reduzida.


A edição deste ano também dedica atenção à crise climática, relacionando desigualdade econômica e impactos ambientais. De acordo com o documento, a metade mais pobre do mundo é responsável por apenas 3% das emissões de carbono associadas à propriedade de capital privado. Em contrapartida, os 10% mais ricos respondem por 77% dessas emissões, e o 1% mais rico sozinho concentra 41%, quase o dobro das emissões de todos os 90% mais pobres combinados.


O relatório acrescenta que “aqueles que menos poluem, principalmente populações de países de baixa renda, são também os mais vulneráveis aos efeitos climáticos. Enquanto isso, os maiores emissores contam com recursos para se proteger, adaptar-se ou evitar as consequências das mudanças climáticas”.

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